1 de setembro de 2011

Panos e azulejos



Cortar, juntar,
recortar, agrupar

Arranjar pedaços num todo
harmonia na desarmonia
do resto, uma coisa

Mosaico de mim

28 de agosto de 2011


"A FUNÇÃO DA ARTE/1
Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
- Me ajuda a olhar!" (Eduardo Galeano em "O Livro dos Abraços")

20 de junho de 2011

Faz Escuro mas eu canto

Estava eu em um sebo, como gosto muito de estar, caçando coisas que nem sempre são óbvias. Fui para as poesias esperando encontrar a Adélia. Nada... Literatura? Saramago? Nada... Voltei à poesia e comecei a ver se havia algo prá eu sonhar...Abri um Thiago de Mello (prazer em conhecer!), "Faz Escuro Mas Eu Canto" de 1978 com poemas escritos no exílio, no Chile, nos duros anos da ditadura. Sabem como é quando a gente abre um livro aleatoriamente: às vezes, o que se lê faz um barulho dentro de nós. Foi o caso e por isso compartilho e dedico àqueles que tem seus filhos perto-longe, longe, muito longe, longe-perto.

Trecho de 39 anos de um cidadão brasileiro

"...Pois brasileiro casado,

e pai de dois filhos homens.

O menor ficou tão longe,

nem sabe o lugar que tem

no fundo azul do meu peito.

O outro vem vindo comigo:

é o bem maior de uma vida

que se acabou já faz tempo,

nem parece que passou.

com este menino conto,

todos podemos contar.

Seu perfil já vai no rumo,

vai ser brasa de mandar.

Dói não poder dar mais,

e amor que sobra dói,

mas é amor, nunca se estraga..."

(O negrito é meu e já explica minha escolha e minha necessidade)

5 de março de 2011

Sorrisos

Fiquei em casa nesse Carnaval e estou aqui no computador vendo de tudo um pouco, lendo blogs, vendo imagens. Dentre as muitas carinhas carnavalescas e sorridentes que encontro pela frente me deparei com essa no Obvious e fui ver o que era. Trata-se de O Grito do Silêncio no Museu Judaico de Berlim, projeto e execução do Arquiteto Daniel Libedinsk, que também está por trás do Memorial das Torres Gêmeas em construção em New York. Pelos comentários que li nas fotos que encontrei o visitante entra em uma sala repleta desses "pedacinhos" e caminha sobre elas. Penso que só quem foi pode dizer a emoção e a sensação impactante de viver tal experiência. Mas minha imaginação está me ajudando. E eu sigo navegando. Já preferi me acabar de dançar em bailes de Carnaval do interior. Agora é um outro momento, outros lugares me aparecem pela tela do meu PC. E a vida segue com sorrisos fantasiados, faces amarguradas, silêncios...muitos silêncios.

23 de agosto de 2010

Quero ver e
quero poder.
Quero tocar,
quero aprender,
conhecer, notar.
Acariciar, reverberar...

Quem sabe assim os trilhos da certeza
me deixem em paz para que eu possa finalmente,
seguir a picada mais isolada e cheirosa do mundo.

16 de agosto de 2010


Veio para dizer algo que precisava brotar.
Chegou com impacto morno, balançou bem devagar a cadeira para sentar-se.
Desistiu.

Voltou, e em pé mesmo, disse carinho e amor,
falou beleza e amparo.

Encantou e se foi.
Mas volta.
...um dia volta.

http://www.patazas.com.br/cadeira_de_balan_o_33400.html

13 de agosto de 2010

Re-ci-clar


Hoje me deparei, como todo dia em minhas navegações-divagações,
com um belíssimo trabalho artístico feito com papéis e jornais reciclados.

o site da artista Za'za mostra mais




10 de agosto de 2010

Entendimento s.m. Faculdade de entender; razão, compreensão. Ação de entender-se, ajuste, acordo: chegar a um entendimento. Boa compreensão: entendimento entre dois amigos.

8 de agosto de 2010

Como em um espelho,
decepcionar-se é também causar decepção.

Talvez mais difícil que lidar com o desengano sofrido
seja digerir a desilusão provocada no outro a quem amamos.

O outro falha, não tem erro... e, talvez, desenhar o outro como nosso "molde" ensina, seja o início do processo da frustração, da decepção.

Pesar sobre um desengano...
decepção

Refletir sobre a causa do engano/desengano...gostaria de poder...gostaria de saber.

Tristeza por causar decepção também, muita!

29 de junho de 2010

Vai, Saramago, fala por mim hoje!

«A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: “Não há mais que ver”, sabia que não era assim. O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.»

10 de junho de 2010

Repercussões da leitura das alterações no Código florestal pelo deputado Aldo Rebelo ontem, dia 09 no plenário da Camara, são tímidas na mídia. Podemos esperar que os deputados votem contra?

Segue manifestação da candidata do PV ao governo da nação, Marina Silva no G1


.......
Mudança em Código Florestal é retrocesso, diz Marina Silva
Relatório de projeto que modifica código flexibiliza regras de preservação.
Para senadora, se pré-candidatos não se manifestarem serão coniventes.

Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília

A pré-candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, nesta quarta-feira (9) A pré-candidata do PV à Presidência da República,
Marina Silva, nesta quarta-feira (9) (Foto: Fabio
Rodrigues Pozzebom/ABr)

A pré-candidata do Partido Verde (PV) à Presidência da República, Marina Silva, criticou nesta quarta-feira (9) as propostas de alteração da legislação ambiental apresentadas nesta terça-feira (8) pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), relator na Comissão Especial da Câmara do projeto que cria o novo Código Florestal. Segundo a ex-ministra do Meio Ambiente as propostas são um “retrocesso” e significam "discurso fácil” para agradar bases eleitorais.
saiba mais

* Aldo Rebelo apresenta texto de Código Florestal que dá autonomia a estados
* Polêmico, novo código florestal não deve ser aprovado este ano
* Relator descarta adiar votação de projeto de lei sobre Código Florestal para 2011

“O relatório constitui mais do que um retrocesso em relação a tudo o que se fez nesses 20 anos de legislação. O retrocesso se dá no nível da legislação e nível político. No nível da legislação, porque flexibiliza as regras de proteção do meio-ambiente e no nível político, porque desqualifica esforços feitos ao longo desses anos como se eles fossem de encomenda por interesses escusos”, criticou.

O relatório de Rebelo deve ser votado na Comissão Especial na próxima semana. Após a leitura do relatório, nesta terça, o presidente da comissão, Moacir Micheletto (PMDB-SP), encerrou a sessão, que ocorreu em meio a clima de confronto entre bancada ruralista e ambientalistas.

Segundo Marina Silva, as alterações no Código não deveriam ser feitas em ano de eleições. “Fazer essas alterações num período eleitoral é reprovável porque o objetivo não deve ser dos melhores. [É reprovável] fazer discurso fácil para agradar bases eleitorais retrógadas. O Congresso não permitirá que se faça tábua rasa de todos os avanços na área ambiental”, afirmou.

Marina Silva também conclamou os demais pré-candidatos à Presidência a se manifestarem a respeito das propostas de mudança do Código Florestal. Segundo ela, um eventual silêncio por parte dos presidenciáveis será interpretado como “omissão ou conivência”.

“Qualquer pessoa que quer governar esse país e que defende a sustentabilidade ambiental deve se pronunciar sob pena de ser omisso e conivente. Ninguém que pretenda governar esse país com o tamanho das florestas, e essa floresta presta serviços para o equilíbrio do país e do planeta, não pode ficar omisso e conivente com esse tipo de retrocesso”, disse.

O projeto
A proposta do novo Código Florestal apresentado nesta terça dá autonomia para os estados definirem os percentuais de área de reserva legal e para flexibilizar a aplicação das leis ambientais. O novo código também isenta pequenos produtores rurais com propriedade de até quatro módulos rurais da obrigatoriedade de cumprir os percentuais de reserva legal - no caso da mata atlântica e caatinga, esse percentual é de 20%; no cerrado, 35%; floresta amazônica, 80%.

Os médios e grandes proprietários poderão, quando impossível cumprir a regra, fazer compensações em áreas de preservação coletiva, a serem definidas pelo Estado. Com isso, o novo texto legaliza a situação de 90% dos produtores rurais brasileiros que, segundo Aldo, estariam hoje colocados na ilegalidade, principalmente os das regiões Sul e Sudeste.

As Áreas de Preservação Ambiental (APA) permanecem no mesmo regime, mas poderão ser alteradas pelos estados que tiverem realizado o Zoneamento Ambiental. A área de mata ciliar a ser mantida pelos agricultores fica em 70 metros no máximo, mas o mínimo passa a ser de 15 metros, podendo cair para 7,5, dependendo da definição de cada estado.